Entrevista Indie #01 - TawStudio

Posted by Matheus On 16:43 0 comentários

Por: Matheus Machado // A Gamer Club Brasil começará com uma série de posts semanais, onde entrevistaremos produtoras responsáveis por games indie de qualidade. Hoje, inaugurando a seção "Entrevista Indie", entrevistaremos a produtora brasileira Taw Studio, responsável pelo game Mr Bree: Returning Home. Confira logo abaixo:



1.    Como surgiu a TawStudio?
A TawStudio se iniciou no termino do curso técnico em multimidia do Senac. Inicialmente, eramos uma empresa que fazia de tudo: publicidade, artes graficas, ilustracões, websites, identidades visuais e etc. Fomos migrando de área, e após cerca de um ano, estavamos iniciando a produção de jogos, e seguindo o nosso sonho!



2.    Ficamos muito curiosos com o protagonista do jogo Mr. Bree. Por que um porco? E por que o nome Mr. Bree?
Após terminamosnosso primeiro jogo, um e-training feito do zero, em código puro, o “O Desafio do 5S”, decidimos usar um framework para o próximo jogo, que seria um indie game.
Depois de estudar o framework Flixel, veio a idéia de fazer um jogo para testar nossas habilidades neste framework. O nosso programador, inspirado pelas músicas que utilizam o “Bree sense” (grunhido de porco como técnica vocal), trouxe a idéia do título “Little Bree”.

Ele seria um pequeno porquinho rosa que perdeu a memória e tinha que voltar pra casa.

Após ter apresentado a idéia para o grupo, um dos nossos artistas transformou o Little Bree num porco pai de família com uma história e cheio de personalidade que acabou se tornando o “Mr Bree”.



 









3.    Como surgiu a ideia de fazer o jogo Mr. Bree? Vocês se inspiraram em algum outro jogo? Qual? 
Todos aqui no estúdio, além de fãs de games em geral, são amantes de jogos de plataforma. E, sendo nosso primeiro projeto independente, procuramos começar com algo simples e rápido. Nossa inspiração para Mr. Bree veio de muitos lugares. Algumas delas, como muitas das pessoas já acertaram, são Super Meat Boy, Mega Man e Castlevania. Inclusive, uma das classificações do nosso jogo é “MetroidVania”.



4.    Qual o tempo aproximado que levaram para fazer o jogo e quantas pessoas estiveram envolvidas na criação dele?
 
Desde o primeiro protótipo até a publicação do jogo levamos cerca de 8 meses. Considerando o tempo que usamos para aprender a usar a ferramenta e as diversas vezes que mudamos o rumo do projeto para implementar ajustes e adaptações.Foram um total de 8 meses de trabalho que geraram o resultado que está disponível hoje.

No total, 5 pessoas participaram do desenvolvimento do jogo e houve um colaborador que contribuiu bastante com ele.



5.    Há planos de lançar o jogo para outras plataformas tais como iPhone, Android e consoles domésticos como o PlayStation 3, Nintendo Wii e Xbox 360?
Tudo depende da aceitação do jogo. Se surgir uma demanda para uma versão mais elaborada, poderemos nos dedicar a isso. Mas atualmente estamos empregando a experiência que adquirimos no desenvolvimento do Mr. Bree em um novo jogo, do mesmo gênero.



6.    E quanto a uma continuação do jogo? Há algum plano de fazê-la?
A história do jogo tem gancho para uma continuação. Aqueles que terminarem o jogo completo verão. Mas não sabemos se essa continuação será um próximo jogo ou um outro tipo de mídia.












7.     No serviço Nuuvem, o jogo Mr. Bree está com o subtítulo "Free Edition". Há planos de lançar de lançar uma versão paga? Se sim, ela viria com adições?
Sim, planejamos fazer uma versão melhor, e com diversos recursos a mais. Além disso, temos uma edição especial do Mr. Bree (que vocês ficarão sabendo em breve), que terão áreas bonus e conteúdo extra, dentro e fora do jogo. Não podemos revelar exatamente o que, porque ainda é surpresa.



8.    Sobre seu novo projeto Jelly Escape, o que podem dizer? Qual a previsão de lançamento?
O Jelly Escape é um jogo de plataforma relativamente simples, mas com atrativos muito interessantes e algumas surpresas para quem gosta de indie games.

O tema do jogo é uma homenagem a época dos arcades e a música do jogo é bastante atmosférica! Ele é excitante, recompensador, engraçado e frenético!

Atualmente, o projeto está entrando na fase beta. Temos alguns screenshots e posts no nosso blog falando do projeto. Um trailer será lançado em breve, provavelmente no início do ano, e temos intenção de lançar o jogo ainda no primeiro trimestre de 2012.




 









9.    A Gamer Club levantou algumas questões sobre o suporte para controle e para a língua portuguesa. Há a possibilidade de lançarem algum tipo de suporte para controle de vídeo game? E para a língua portuguesa?
Essas são duas coisas que as pessoas comentam bastante. Quanto ao suporte para controle:na atual versão isso não é possivel, pela plataforma que estamos usando para desenvolver. Mas se houver umaversão remake, provavelmente terá.

Quanto ao jogo em português: Andamos recebendo algumas críticas sobre isso. Adoraríamos fazer uma versão em português, mas não temos previsão para isso.Ao se tratar de mercado e de distribuição, a lingua portuguesa representa uma fatia muito pequena disso tudo, e o alcance dassa versão em português seria mínimo. 


Vale lembrar que o Mr. Bree foi projetado para ser lançado no mercado internacional de webgames, e como tal, o idioma inglês foi escolhido por uma questão universal de aceitação.

Graças ao serviço da Nuuvem tivemos a oportunidade de distribuir o jogo de graça para o nosso país e somos muito gratos por isso! No entanto, ainda não houve tempo para fazermos uma versão em português.


 
10.    Quais os planos e perspectivas para o futuro da TawStudio?
Resumidamente, viver fazendo jogos! Esperamos sinceramente nos sustentarmos somente do desenvolvimento de jogos. É um sonho e objetivo pessoal que todos aqui do estúdio têm a sorte de compartilhar.

Nossa perspectiva é nos tornarmos um estúdio que possa oferecer entretenimento de qualidade para o maior número de pessoas possível,ao mesmo tempo produzindo jogos que nos façam felizes.



11.     Quais as suas espectativas para o futuro do mercado de games brasileiros?
São ótimas! O mercado nunca esteve tão favorável para os desenvolvedores. E isso está só no começo.Muita coisa está melhorando: muitas leis e projetos a nosso favor, o incrível trabalho do Moacyr e da Acigames com o Jogojusto, além das primeiras gerações de desenvolvedores que estão se formando nos cursos e faculdades, e a grande quantidade de estúdios, independentes ou não, que estão sendo abertos. E diferente de outros mercados, o mercado de games tem uma comunidade muito forte e unida, os estúdios estão sempre se ajudando e visando o melhor para todos.













12.     Quais as dificuldades em desenvolver um jogo no Brasil? Como arcam com os custos do projeto?
Como desenvolvedores independentes, as dificuldades encontradas aqui não foram muito diferentes das de outros países. Realmente, como estamos no início, a maior dificuldade é a financeira. Não fomos atrás de investimentos, apoio, doações, funding, nada. O projeto inteiro foi custeado com trabalhos freelas de outros tipos, muita dedicação e horas extras. Antigamente, quem pretendia ir atrás de recursos para custear projetos de jogos poderia encontrar dificuldades, mas atualmente isso está mudando. O mercado está abrindo os olhos para os desenvolvedores de games,e acredito que isso será cada vez melhor para quem segue este caminho.



13.     Quantas pessoas trabalham na produção de Mr. Bree?
 
Um game/level designer, um programador, dois artistas, um músico e um colaborador.



14.     O que você acha do forte crescimento do mercado de games indie no ano de 2011?
É fantástico! Não só por ser o caminho que estamos seguindo, mas para o mercado de jogos em geral. O mercado indie ajuda a gerar mais variedade, possibilidades e opções, tanto para os gamers quanto para os investidores. Com o desenvolvimento independente a indústria ganha com jogos extremamente criativos e mais acessíveis a todos os públicos. Essa indústria é uma das primeiras que permitem que seus consumidores participem e contribuam literalmente com o desenvolvimento dos projetos. E todo mundo só tem a ganhar com isso! 


15.     E por último, pra galera que está começando, quais as suas dicas para adentrar no mercado de games, sendo o profissional um designer, concept artist, roteirista ou programador?
Para o mercado de games independentes, uma das coisas mais importantes é ter persistência. É fato que a maioria dos jogos independentes nem chegam a ser terminados. Por diversos motivos: dinheiro, falta de tempo, falta de capacitação, etc. Então, é preciso bastante força de vontade e determinação.

Outra dica bastante importante é: analise os jogos que você joga! Não só jogar e saber tudo o que tem no jogo. Estude-o, disseque-o: como é montado o cenário? Como são os menus? A mecânica funciona bem? Quais os bugs? Quais os prós e contras dessas coisas? O que pode ser melhorado? Tem algum outro jogo parecido, ele tem uma solução melhor? Não só o game designer deve ter essa visão,a equipe toda precisa disso. Ajuda todos a saberem claramente como tudo funciona, quais as melhores opções para fazer a sua parte do trabalho, além de ter referências e experiência para acrescentarao projeto e apresentar soluções melhores.


Faça contatos e converse com outros desenvolvedores! Isso não é obrigatório. Você pode ser um desenvolvedor ou uma equipe solitária, mas a comunidade de games é muito gentil e aberta! Você vai conseguir ajuda, dicas, conselhos, ferramentas, e muita coisa que vai te ajudar bastante em seu caminho.

Por último, saiba onde você quer chegar, acredite no que está fazendo e se dedique visceralmente. O resultado será favorável sempre!

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